Smartphone foi apresentado no último ano como o “destruidor de tops de linha”. Confira os prós e os contras do OnePlus One.



O OnePlus One foi o aparelho de estreia da desconhecida fabricante OnePlus e que chamou a atenção por lançar uma proposta bastante ousada: arrasar todos os tops de linha existentes no mercado.
Testamos o Galaxy S6 Edge, top de linha com tela curva da Samsung
Embora pouco comentado no Brasil, o aparelho com sistemas CyanogenMod ou Oxygen OS, traz um hardware de ponta por cerca da metade do preço de um celular equivalente, como o Galaxy S5 e o Xperia Z3. O TechTudo teve acesso à versão de 64 GB do OnePlus One e traz um teste completo do aparelho.
Design

O design do OnePlus One chama a atenção não só visualmente, mas também abusa do sentido tátil. A versão de 64 GB vem equipada com um material batizado de “Sandstone Black”, que simula uma areia e deixa a traseira do levemente áspera. Embora pareça estranha à primeira vista, o resultado é bastante agradável e promete ser um ótimo aliado para não deixar o smartphone escorregar e cair.
Na parte frontal, o One traz um chassi de metal que dá um design elegante e bom acabamento. Já a enorme tela de 5,5 polegadas aparece saltada em relação a esta parte metálica, ficando um pouco acima do corpo do aparelho. De certa forma, a solução preocupa pela resistência, embora o vidro tenha proteção Gorilla Glass 3.
Ainda sobre a parte frontal, o OnePlus One cativa pelo seu visual clean, não poluído pela marca da empresa ou outros detalhes desnecessários. Há ainda botões capacitivos que podem ser desativados e totalmente substituídos por teclas virtuais, caso o usuário prefira.
O tamanho avantajado pode tornar uso da tela de 5,5 polegadas com uma das mãos um tanto quanto complicado, especialmente para digitação. Felizmente, o aparelho é leve, com 162 gramas, e fino (8,9 milímetros), o que ameniza um pouco o impacto no dia a dia.
Tela

O One chega acompanhado com uma tela LTPS LCD de 5,5 polegadas com resolução Full HD (1080p), gerando uma densidade de 401 ppi. O resultado disso é um ótimo aparelho para games e assistir vídeos no YouTube, Netflix ou outros serviços de streaming. O tamanho favorece ainda a leitura, bastante confortável graças à densidade do aparelho.
Sistema Operacional

A história do One é marcada por uma reviravolta. Após se desentender com a Cyanogen, a OnePlus decidiu desenvolver seu próprio sistema para os smartphones da marca: o Oxygen OS. Sendo assim, os usuários podem escolher se preferem usar a plataforma da fabricante ou ficar com o Cyanogen OS instalado de fábrica. O teste do TechTudo é baseado no sistema original do aparelho.
Inicialmente, não há qualquer diferença entre o Android da Cyanogen e o do Google. Ambos trazem a mesma organização visual, a Google Play Store, Google Maps, Gmail e os demais aplicativos do Google. Entretanto, o Cyanogen OS adiciona uma série de possibilidades à plataforma.
Primeiramente, o usuário pode escolher se deseja utilizar o tema Hexo da Cyanogen, com ícones quadrados e papéis de paredes próprios, ou o visual Material Design do Android puro. Fora isso, o sistema traz uma loja de temas que oferece desde as interfaces da Samsung, Sony e LG até personalizações criadas por designers e usuários.
Página de aplicaivos do sistema operacional (Foto: Elson de Souza/TechTudo)Página de aplicaivos do sistema operacional (Foto: Elson de Souza/TechTudo)
 Há também alguns truques bem legais baseados em gestos. Com o telefone bloqueado, é possível dar dois toques para acordar, desenhar um “V” para ligar a lanterna, desenhar um círculo para ativar a câmera, usar
dois dedos da vertical para reproduzir uma música, desenhar uma seta para a direita “->” para avançar uma música e para a esquerda “<-” para retroceder. Já com o smart desbloqueado, o usuário pode controlar o brilho da tela na barra de status ou bloqueá-lo com um toque duplo no mesmo local.
Mas nem tudo são flores no mundo dos Androids “independentes”. Como a OnePlus ainda é uma empresa pequena e a relação com a Cyanogen não é das melhores, os usuários acabam tendo que conviver com alguns bugs. Após a atualização para a versão 12S, baseada no Android 5.0 (Lollipop), diversos aparelhos tiveram toques fantasmas, problemas de sensibilidade e travamento da câmera. Os dois primeiros foram resolvidos após semanas de reclamação, mas o último ainda persiste.
Outro ponto negativo é a demora na atualização do sistema, já que a Cyanogen e a OnePlus One precisam que o Google libere o código aberto do Android e este processo pode levar algum tempo.
Desempenho

O OnePlus One quer mostrar que desempenho e preço não precisam caminhar na mesma direção. O aparelho vem equipado com configurações equiparadas a boa parte dos tops de linha do último ano: processador quad-core Snapdragon 801 de 2,5 GHz, 3 GB de memória RAM e capacidade de armazenamento de 16 ou 64 GB, sem entrada para cartão de memória.

O OnePlus One apresenta transições fluídas e rápidas, boa velocidade de carregamento de games, multitarefas ágil e eficiente, garantindo que os Androids KitKat e Lollipop rodem perfeitamente. Há ainda as conectividades 4G (compatíveis com o Brasil), 3G, Bluetooth 4.1, NFC e Wi-FI com suporte a DLNA, hotspot e Wi-Fi Direct.
Em teste de desempenho divulgado pelo aplicativo AnTuTu, o OnePlus One alcançou 44795 pontos de média e chegou a superar concorrentes como o Moto X (2014), Galaxy S5, HTC One M8 e Xperia Z3. No entanto, ficou atrás do Galaxy Note 4 e do Galaxy Alpha, ambos lançados posteriormente.
Bateria

A bateria de 3.100 mAh do OnePlus fica na média dos smartphones da categoria. Nas primeiras semanas, o aparelho consegue aguentar dois dias sem ser conectado à tomada. No entanto, com o tempo de uso, a vida útil do componente também cai até atingir um tempo de 12 a 18 horas, dependendo do que estiver instalado no telefone e de quanto tempo o usuário passa utilizando o aparelho.

Câmera

O OnePlus One vem equipado com um sensor Sony EXMOR IMX214 de 13 megapixels, o mesmo que equipa o Nexus 6 e o LG G3. O telefone traz ainda um Flash dual LED e função HDR. No que diz respeito à vídeos, ele é capaz de fazer gravações em resolução 4K (2160p), Full HD a 60 frames por segundos e em câmera lenta HD a 120 fps, mesma habilidade do iPhone 5S.
Apesar do ótimo conjunto, o OnePlus One decepciona em alguns pontos. Em primeiro lugar, pelo posicionamento da câmera, muito próxima à margem do aparelho e facilmente coberta pelos dedos do usuário. Além disso, o aplicativo de câmera padrão traz poucas configurações e é um pouco confuso para quem está acostumado com o Nokia Camera e o app padrão do Windows Phone.

Desconsiderando estes dealhes, o OnePlus One consegue se sair bem comparado à média dos smartphones. As fotos não são de tirar o fôlego, mas suprem as necessidades do usuário comum. Além disso, a câmera traz um conjunto interessante de filtros com um simples arrastar de dedos na vertical. Já a parte frontal agrada pelo angulo aberto e por permitir uma boa entrada de luz, embora as imagens fiquem amareladas em algumas situações.
Acessórios

A apresentação do OnePlus One é de longe uma das mais atraentes do mercado de smartphones. O aparelho chega em uma bela caixa acompanhado de um cabo de de dados flat bastante estiloso na cor vermelha e um plug de tomada no padrão americano. Para a tristeza dos amantes de música, não há fones de ouvido.  No entanto, o preço do aparelho compensa a ausência.
Custo-benefício

O OnePlus One pode ser comprado livremente por um valor inicial de US$ 199 (R$ 867) na versão de 16 GB e US$ 299 (R$ 1.040)  na versão de 64 GB, ambos sem impostos. Para se ter uma ideia, o preço do Galaxy S5 de 16 GB desbloqueado nos Estados Unidos é US$ 569 (R$ 1.980) dólares sem contrato com operadoras. No Brasil, o mesmo modelo da Samsung custa R$ 1.430.
Não fosse o dólar tão alto, o OnePlus One seria uma opção ainda mais atraente para os consumidores brasileiros. De qualquer forma, é preciso observar que, mesmo com a diferença pequena, o aparelho traz uma memória quatro vezes maior do que a do Galaxy S5.

Conclusão

Não é qualquer estreante no mercado que pode se dar à ousadia de batizar o seu produto como “o destruidor de top de linhas”. No entanto, a OnePlus fez do One uma opção extremamente vantajosa para quem deseja comprar um bom smartphone sem sentir que está “pagando pela marca”. Não há dúvidas que o aparelho atende bem às necessidades da maior parte dos usuários, mas é preciso refletir sobre alguns pontos antes de comprá-lo.
O primeiro é que a OnePlus não faz entrega no Brasil e o usuário precisaria contratar um serviço auxiliar ou mandar o telefone para a casa de um amigo no exterior. Além disso, é preciso estar disposto a pagar o preço por um top de linha de uma empresa nova, estando sujeito a alguns bugs de sistema persistentes. Mas isso não chega a ser uma regra, já que até a  Apple deixou usuários com bugs no iOS por semanas antes de lançar uma correção.
No geral, o One marcou uma ótima estreia da OnePlus em um mercado de smartphones bastante competitivo e abriu as portas para o recém-lançado OnePlus 2.