Copa do Mundo::Por causa da Libertação do ex-ativista político Battisti, Itália pode boicotar Copa 2014

A libertação do ex-ativista político Cesare Battisti é alvo de protestos e ameaças na Itália. As famílias das vítimas cobram do governo italiano retaliação em relação ao Brasil. Bruno Berardi, filho do marechal Rosário Berardi, assassinado em 1978 pelo grupo armado de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas, pediu que, em represália, a Itália não participe da Copa do Mundo de 2014."O governo italiano deve retirar a participação da seleção italiana da Copa do Mundo de 2014 e de outros eventos semelhantes. A Itália também deve interromper relações comerciais com aquela nação", disse Berardi à imprensa italiana. Em uma enquete feita pela edição online do jornal italiano Corriere della Sera de hoje (9), um total de 80% dos internautas disse concordar com a proposta de Berardi de boicotar a Copa de 2014.As autoridades italianas, por sua vez, reiteraram,  em comunicado, que vão recorrer à Corte de Haia. Mas ainda não há data para ingressar com a ação. A imprensa italiana divulgou hoje (10) o primeiro dia de Battisti em liberdade.
O jornal Corriere Della Sera, um dos principais da Itália, informou em uma das reportagens de capa que Battisti reclamou do clima seco de Brasília. Mas, segundo o advogado dele, Luís Roberto Barroso, a queixa não se transformou em um problema.No jornal La Repubblica, o destaque é para a reação das famílias das vítimas. Nos anos 70, na Itália, Battisti foi condenado à revelia à prisão perpétua por participação de quatro assassinatos. Os parentes dos mortos afirmaram que a não extradição e a libertação do ex-ativista representam uma absolvição para ele. Para os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores da Itália, a decisão da Suprema Corte do Brasil não pode encerrar o caso Battisti. As autoridades anunciaram que irão recorrer à Corte de Haia. No recurso, os italianos pretendem afirmar que o Brasil descumpriu um tratado de extradição que tem com a Itália, assim como transgrediu os princípios do direito internacional. O argumento dos italianos é uma reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou a extradição e autorizou a libertação imediata de Battisti, preso no Brasil desde 2007. "A equipe italiana irá ativar imediatamente outro mecanismo possível de proteção judicial", diz o texto. O comunicado informa que a alternativa analisada é recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, para rever a decisão, "que não corresponde aos princípios gerais do direito e às obrigações contidas no direito internacional". Ontem (9), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, negou que a decisão sobre Battisti atrapalhará as relações com a Itália. De forma semelhante reagiu o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Ele disse que o assunto está sob responsabilidade do Judiciário e não do Executivo.